Sonho

Meu coração repousa junto à fonte fria.
(Enche-a com teus fios,
aranha do esquecimento.)

A água da fonte sua canção lhe dizia.
(Enche-a com teus fios,
aranha do esquecimento.)

Meu coração desperto seus amores dizia.
(Aranha do silêncio,
tece ali teu mistério.)

A água da fonte o escutava sombria.
(Aranha do silêncio,
tece ali teu mistério.)

Meu coração se curva sobre a fonte fria.
(Mãos brancas, distantes,
detende as águas.)

E a água o leva cantando de alegria.
(Mãos brancas, distantes,
nada fica nas águas.)

Federico Garcia Lorca (Fuente Vaqueros, Andaluzia, Espanha, 5 de junho de 1898 – Víznar e Alfacar, Granada, Espanha, 18 de agosto de 1936). In “Poemas de amor de Federico Garcia Lorca: Remansos de amor – Antologia”. Organização Luiz Raul Machado; tradução Floriano Martins, Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 1998

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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