Meu coração repousa junto à fonte fria.
(Enche-a com teus fios,
aranha do esquecimento.)
A água da fonte sua canção lhe dizia.
(Enche-a com teus fios,
aranha do esquecimento.)
Meu coração desperto seus amores dizia.
(Aranha do silêncio,
tece ali teu mistério.)
A água da fonte o escutava sombria.
(Aranha do silêncio,
tece ali teu mistério.)
Meu coração se curva sobre a fonte fria.
(Mãos brancas, distantes,
detende as águas.)
E a água o leva cantando de alegria.
(Mãos brancas, distantes,
nada fica nas águas.)
Federico Garcia Lorca (Fuente Vaqueros, Andaluzia, Espanha, 5 de junho de 1898 – Víznar e Alfacar, Granada, Espanha, 18 de agosto de 1936). In “Poemas de amor de Federico Garcia Lorca: Remansos de amor – Antologia”. Organização Luiz Raul Machado; tradução Floriano Martins, Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 1998