Morri pela beleza, mas apenas estava
Acomodada em meu túmulo.
Alguém que morrera pela verdade
Era depositado no carneiro contíguo.
Perguntou-me baixinho o que me matara:
– A beleza, respondi.
– A mim, a verdade – é a mesma coisa,
Somos irmãos.
E assim, como parentes que uma noite se encontram,
Conversámos de jazigo a jazigo,
Até que o musgo alcançou os nossos lábios
E cobriu os nossos nomes.
Emily Dickinson (Amherst, Condado de Hampshire, Massachusetts, Estados Unidos, 10 de dezembro de 1830 – Amherst, 15 de maio de 1886). Tradução de Manuel Bandeira que o publicou no jornal “Paratodos” em 1928. Algo curioso é que essa poetisa não dava títulos a seus poemas, mas Bandeira optou em dar nome ao poema e seguir o uso mais corrente entre os leitores brasileiros. O poeta-tradutor retocou esse poema de Dickinson até a edição de 1956 de “Poemas traduzidos”. In “Alguns poemas traduzidos”. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, p. 76, 2007