Era um, era dois, era cem
Mil tambores e as vozes do além
Morro velho, senzala, casa cheia
Repinica, rebate, revolteia
E trovão no céu é candeia
Era bumbo, era surdo e era caixa
Meia-volta e mais volta e meia
Pocotó, trem de ferro e uma luz
Procissão, chão de flores e Jesus
Bate forte até sangrar a mão
E batendo pelos que se foram
Ou batendo pelos que voltaram
Os tambores de Minas soarão
Seus tambores nunca se calaram
Era couro batendo e era lata (era couro batendo e era lata)
Era um sino com a nota exata (era um sino com a nota exata)
Pé no chão e as cadeiras da mulata (pé no chão e as cadeiras da mulata)
E o futuro nas mãos do menino
Batucando por fé e destino
Bate roupa em riacho a lavadeira (bate roupa em riacho a lavadeira)
Ritmando de qualquer maneira (ritmando de qualquer maneira)
E por fim, o tambor da musculatura (e por fim o tambor da musculatura)
O tum-tum ancestral do coração (o tum-tum ancestral do coração)
Quando chega a febre ninguém segura
Bate forte até sangrar a mão
Os tambores de Minas soarão
Seus tambores nunca se calaram
Os tambores de Minas soarão
Seus tambores nunca se calaram, êh
Os tambores de Minas soarão
Seus tambores nunca se calaram
Os tambores de Minas soarão
Seus tambores nunca se calaram
Seus tambores nunca se calaram
Márcio Borges (Belo Horizonte, 31 de janeiro de 1946) / Milton Nascimento (Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1942). Canção de 1997