“Vou te mandar uma foto batida por um cliente na casa cor BH e um texto meu que fiz para o colecionador que adquiriu meu estandarte homenagem para Oxalá.
Pedro , imagine toda essa pedraria uma a uma passando por minhas mãos, ponto a ponto e repetidamente até três vezes por unidade. Cozer um estandarte, tapetes, bandeira, de opiniões que divergem os expectadores da Arte , é algo extraordinário para mim , às vezes fico a imaginar que tantos fragmentos se formaram saindo de minhas mãos, é poder comparar as grandes dunas que se formam com minúsculos grãos de areia. O prazer, o extinto é tão intenso que posso constar uma força sobrenatural que povoa o meu ser! Ser uma artista que já nasceu artista, filho de uma artista, gerado no ventre de uma super mãe que alimentou através de um cordão umbilical carregado de símbolos que se diz Arte. A labuta é prazerosa mais cansativa, é forca mais também fracasso, cair e levantar e saber que a criação precisa ser feita, insistir e concluir. Nem tudo sai do jeito que se projeta , o tecido parece mortal, mas tem vida, reage e precisa ser domado , quantas agulhas se romperam , novelos e novelos de linha se entrelaçam para contar uma história narrada mais vivida na espiritualidade do meu ser. O alicate é essencial para romper as fibras de dureza , é preciso perfurar para não rasgar, é preciso equilíbrio, paciência, suportar, muitas vezes ser furado, como se algo tivesse a necessidade de um exame de DNA. Continuo a dizer é mais fácil fazer que explicar a construção. Meus estandartes são autorais, não faço por encomenda , dinheiro é necessário, mas jamais dinheiro paga um filho que nasceu do amor, do prazer de ser artista, convicto de meus valores, como sempre digo, o marketing faz o preço o valor somente quem faz pode viver tamanho prazer. Enfim é minha homenagem ao maior de todos os orixás, Jesus é necessário para acalmar a humanidade. Epà bàbá! Sou mistura de raças, sou brasileiro, nordestino, alagoano.”
Jerônimo Miranda / Artista nato
Luiz Jerônimo Camelo Cabral, mais conhecido com Jerônimo Miranda, o popular “Dr.”, nasceu no dia 26 de janeiro de 1961 na cidade de Atalaia, Alagoas. Filho de Jerônimo Lopes de Miranda Cabral e Fernanda Camelo Cabral. Estudou o primário e ginásio em sua terra natal. Em Satuba fez o curso técnico de agropecuária. Em Maceió, no CESMAC, o Curso de Educação Artística (1986 – incompleto). Iniciou-se na produção artística realizando arranjos florais, com pintura à mão.
Artista plástico, autodidata, pesquisador, colecionador e marchand. Reside na cidade de Maceió desde 1989, onde veio a experimentar diversas técnicas do fazer artístico, tendo se concentrado nos últimos anos na pintura e na tapeçaria. Executa tapeçaria cuidadosa, prescindindo nos mais diversos materiais, com a consciência daquilo que expressa, mas sem perder o vigor na espontaneidade com que se mistura elementos cotidianos como um espelho, miçangas, cacos de vidro e uma calça jeans bordados lado a lado. Formado em agropecuária onde aprendeu a amar e respeitar a natureza, fonte de suas inspirações. Viveu e conviveu com o povo, desenvolvendo o gosto apurado pela arte de raiz.
Pinta e borda… Seus estandartes estão expostos no Museu Afrobrasil em São Paulo sob a curadoria de Emanuel Araújo e na coleção do Instituto Carlos Augusto Lira em Recife – PE sob a curadoria da antropóloga do Museu do Homem do Nordeste Ciema Silva de Melo.
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Obrigado Eduardo por sua atenção, gentileza em reconhecer meu trabalho, sua postagem é de grande utilidade para mim, fico muito feliz, orgulhoso de fazer parte de seu blog. Abraço fraternal amigo, Jerônimo Miranda – Artista NATO.