Trabalho com o visto do Profº. Francisco Claudio Granja (1957 – 2020), que me deu aula de “Educação Artística” no EEPG Dalton Morato Villas Bôas, da 5ª. à 7ª. série (1976-1978), Vila Odilon, Ourinhos-SP.
Mês: outubro 2025
sinta meu pulso
Eis que projeto um poema
sobre o abismo branco
da página em alarme.
Ao primeiro descuido
e à minha revelia,
jaz e volta, germe
que adquire vida própria.
Com poderes de reger-me,
manda que eu vá
pela selva selvagem
dos textos e dos sentidos.
E, antes de ir-me,
com amor me
olha, e diz, como diria
meu pai: fique firme
Fabrício Marques (Manhuaçu, Minas Gerais, 1965). In “Samplers”, Editora Relume Dumará, Rio de Janeiro, 2000. Finalista ao Prêmio Jabuti 2025 com seu livro de poesia coletivo “Poesia reunida [1966-2009]” em parceria com Maria do Carmo Ferreira e Silvana Guimarães (Organizadores), Editora Martelo, e a cerimônia de premiação está marcada para acontecer hoje, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
No ar
Rimbaud et l’air
[para Fabrício Marques, com quem condivido este poema, pelo toque & pelo mote]
Poeta sou,
mas
pelo avesso
chegado ao extremo:
não faço versos.
Verti ao olho
& al dente
uma estação no inferno.
Não vou nessa de Dante:
é sem acompanhante
que trafego
pelas profundas de mim mesmo.
Maria do Carmo Ferreira (Cataguases, Minas Gerais, 21 de dezembro de 1938). In “Cave Carmen”, 2024. Finalista ao Prêmio Jabuti 2025 com seu livro de poesia coletivo “Poesia reunida [1966-2009]” em parceria com Fabrício Marques e Silvana Guimarães (Organizadores), Editora Martelo, e a cerimônia de premiação está marcada para acontecer em 27 de outubro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Nota: Que coincidência de nome. Minha mãe chamava-se Maria do Carmo Ferreira Matosinho e era chamada carinhosamente de “Carmita”.
Vladimir Herzog: Ato religioso recriado 50 anos depois
O ato ecumênico que desafiou ditadura na morte de Herzog que ocorrerá hoje na Catedral da Sé resgata cerimônia que reuniu Paulo Evaristo Arns, Henry Sobel e Jaime Wright contra versão de suicídio. Será celebrada por Dom Odilo Pedro Scherer, auxiliado por um rabino e por uma presbitera. Cinco décadas depois, o novo ato ecumênico será dedicado não apenas à memória de Herzog, mas também a todas as famílias que perderam entes queridos durante a ditadura. A história mostra que há 50 anos, em 25 de outubro de 1975, foi assassinado o jornalista e cineasta Vladimir Herzog. Vítima da ditadura, tornou-se uma figura fundamental para a construção da nossa democracia. Nessa ocasião, oito mil pessoas se reuniram na Sé em memória do jornalista. Ele foi assassinado nas dependências do DOI–Codi paulista. O regime militar divulgou a versão de que o então diretor da TV Cultura teria se enforcado em uma cela, com o cinto do macacão que vestia. A reação da sociedade civil foi imediata. Três anos depois, coube ao jovem juiz Márcio José de Moraes julgar a ação movida pela família de Herzog contra o Estado brasileiro, ainda sob a vigência do AI–5.
O saudoso amigo Fernando Pacheco Jordão (1937 – 2017) conta tudo em seu livro “Dossiê Herzog: prisão, tortura e morte no Brasil” (Imagem abaixo). Muito amigo de Vlado e dirigente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época do assassinato, Fernando escreveu esse livro, que já está na sétima edição, revista e ampliada, e constitui documento fundamental para a História do Brasil.

25 de outubro – Ato Inter-religioso 50 anos por Vlado
A programação prevê acolhida a partir das 19h, com participação do Coro Luther King, seguida de manifestações interreligiosas, com a presença de Dom Odilo Pedro Scherer, da reverenda Anita Wright – filha de Jaime Wright, e do rabino Rav Uri Lam.
Apresentações culturais com grandes nomes da música brasileira acontecerão no interior da catedral. Além disso, a exibição de vídeos especialmente produzidos para a ocasião estão previstos, entre eles, a leitura de uma carta de Zora Herzog, mãe de Vlado, feita pela atriz Fernanda Montenegro.
Estarão presentes no evento ainda amigos e familiares de Vlado, parlamentares, ministros, figuras públicas e José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, representando as organizações realizadoras.
Serviço | Data: 25 de outubro de 2025 (sábado) | Horário: 19h | Local: Catedral da Sé – Praça da Sé, São Paulo – SP | Evento gratuito e aberto ao público.
Prismático
Primeira palavra
Aproxima o teu coração
e inclina o teu sangue
para que eu recolha
os teus inacessíveis frutos
para que prove da tua água
e repouse na tua fronte
Debruça o teu rosto
sobre a terra sem vestígio
prepara o teu ventre
para a anunciada visita
até que nos lábios umedeça
a primeira palavra do teu corpo.
Mia Couto (Beira, Moçambique, 5 de julho de 1955). In “Raiz de orvalho e outros poemas”
5 gerações de mulheres de minha família (Como aparece no álbum original)
Em pé: Minha avó Laura e minha mãe Carmita, sentadas: À esquerda, minha bisavó Adelaide, à direita, minha tataravó Ana Vianna e no centro minha irmã Edna. Essa fotografia foi batida em Rio Claro – SP em 1954, por ocasião do aniversário de 90 anos de Ana Vianna.
Fundo do poço 1
Divina comédia humana
Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um transa sensual
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo e de novo dizendo sim à paixão, morando na filosofia
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo e de novo dizendo sim à paixão, morando na filosofia
Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno
Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno
Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto
Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não
Eu canto, ora direis
Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto
Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não
Eu canto
Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não
Eu canto
Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não
Eu canto, hm hm
Antônio Carlos Belchior, mais conhecido como Belchior (Sobral, Ceará, 26 de outubro de 1946 – Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, 30 de abril de 2017). Canção de 1978 e que faz referências ao poema do parnasiano Olavo Bilac intitulado “Ora (direis) ouvir estrelas!” e ao clássico livro do poeta italiano Dante Alighieri, “A divina comédia, o inferno”