Mês: janeiro 2025
Gravata colorida
Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada…
Solano Trindade (Recife, Pernambuco, 24 de julho de 1908 — Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 1974). In “O poeta do povo”
Patricia Helney: Galo, Me encanta o olhar ver o amor transbordar! e Ellen e a Mel
“Eternize seu pet, fale comigo!”
Patrícia Helney
Essa artista vem se destacando no panorama das artes plásticas com um vasto currículo com mais de 25 premiações nacionais e internacionais ao longo de 40 anos de exposições no Brasil e no mundo. Sua linguagem é da Arte Naïf, com a riqueza das cores e a simplicidade das histórias contadas em suas telas.
“Amo a vida, a arte, a música, a literatura, a dança e o meu maior tesouro é a minha família.”
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Abraço 3
Esboço
Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros…
e no corpo da mata
os pirilampos
de quando em quando,
insinuavam
fosforecentes carícias…
e o corpo do silêncio estremecia,
chocalhava,
com os guizos
do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca…
e no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos…
Gilka Machado (Rio de Janeiro, 12 de março de 1893 — Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 1980). In “Sublimação”, 1928
Guaches que marcaram esse Eduardo de verde escuro
Dá-me as rosas
No campo em que eu repousar
Solitária e tenebrosa
Eu vos peço para adornar
O meu jazigo com as rosas
As flores são formosas
Aos olhos de um poeta
Dentre todas são as rosas
A minha flor predileta
Se a afeiçoares aos versos inocentes
Que deixo escritos aqui
E quiseres ofertar-me um presente
Dá-me as rosas que pedi.
Agradeço-lhe com fervor
Desde já o meu obrigado
Se me levares esta flor
No dia dos finados.
Carolina Maria de Jesus (Sacramento, Minas Gerais, 14 de março de 1914 – São Paulo, 13 de fevereiro de 1977). In “Antologia pessoal”. Organização José Carlos Sebe Bom Meihy. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996
Brotou do chão
Flores do mais
Devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
mais
Ana Cristina Cesar (Rio de Janeiro, 2 de junho de 1952 — Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1983). In “Inéditos e dispersos”. Organização Armando Freitas Filho. São Paulo: Editora Ática/ IMS, 1999