In “Alice Através do espelho – e o que ela encontrou lá” de Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll (Daresbury, 27 de janeiro de 1832 — Guildford, 14 de Janeiro de 1898). Tradução de Sebastião Uchoa Leite.
Autor: ematosinho
Recorte de jornal
Entre dois papéis brancos
Entre dois papéis brancos
Fiz um sanduíche com meus sonhos
De noites escaldantes de amor
E dias vividos lá fora
Foram trabalhos já realizados
E amigos presentes
Fotos de criancinhas recém nascidas
Recebidas pelo correio
Bingos de uma festa junina
Ganhos por uma velhinha de preto
A espera em um ponto de ônibus
Com o dinheiro trocado na mão
O trajeto de sempre esquecido
Na leitura de um poema de João Cabral
Deixei passar o meu ponto
E fui parar perto da Paulista
Na caminhada de volta
Parei em uma farmácia
E comprei o meu remédio
Reforço para o dia que virá
Na solidão da cidade grande
Bicharada: fotos
“7 bichinhos são explorados e maltratados por seus patrões. Cansados dessa situação, alguns fogem de suas casas, outros são expulsos e ficam sem lar. É nesse momento que eles se encontram e iniciam uma aventura em busca da felicidade. Será que conseguirão atingir seus objetivos? Venha se emocionar e cantar com a gente!”
Musical encenado no Teatro Escola Macunaíma em 2 seções no dia 22 de junho e dirigido por Rafaela Cassol, inspirado no conto “Os Músicos de Bremen” dos irmãos Grimm, com a participação de João Alexandre Matosinho como o personagem Jumento.
Passarinho 1
Com uma blusa puída
Com uma blusa puída
Saí para a rua para encontrar o sol
E a aurora de minha vida
Caminhei entre passantes apressados
Vi cachorros e pássaros
E um museu aberto ao público
Minha infância passou pela minha cabeça
Recordei amigos antigos
E passagens de meu passado
Como uma partida de futebol
E um footing na praça
Tomei um cafezinho no bar
E caminhei um pouco mais
Pois tinha outras coisas para encontrar
Como um sonho, um átimo
Um amor acabado
E uma garrafa de guaraná
Galeria Pontes apresenta seu acervo de Antônio Poteiro
Temática infantil
Decifrando o escrito: “A Miró”
Bunico
O canto dos pássaros anunciou
E a mata em revoada: uno, mais um
Meu filho chegou…
Bunico – mamãe disse no dezembro.
Meu primeiro sobrinho, no passado, como escrevi na porta
Do guarda-roupa de casa em Ourinhos: Biriba.
É sorte grande ver um rebento chegar:
Boneco, buneco, bunico,
Martim, Tim, Nico, Nenê – Tantos pássaros.
Um pandeiro por tocar e uma peteca em repouso esperando
Seu toque mágico com as mãos firmes que Deus te deu.
Um séquito de aves na praça que meu pai gostava
E onde conheci tua mãe e comecei a sonhar contigo,
Te esperam para a comitiva que te seguirá.
O pio da mata ecoou no ventre da mãe Luiza e te acalentou.
O girino, o ovo, o feto, o bebê, o homem, o ser.
A mágica da vida e a eterna música do tempo.
No belo canto do curió e do uirapurú.
A Amazônia, o Pantanal, a mata ciliar do Paranapanema,
As curvas do pai Tietê, o céu de minha terra que é São Paulo
Que a todos recebeu e que é tua também.
As veredas de um João e o os Severinos de outro.
O Piauí todo correndo em suas veias.
Portugal e Holanda: tantas histórias
Do vaqueiro Pedro Branco e do caipira Edmundo de Dois Córregos
Da Maria no céu e da Raimunda na terra de Campo Maior.
Um João para nos ajudar a nos redescobrir.
Rua Alagoas, 29/Dez/2005.