Após o golpe militar ocorrido em abril de 1964, as primeiras medidas tomadas destinaram-se a anular atos do governo anterior e reprimir aqueles que poderiam opor-se ao novo regime: revogação dos decretos de nacionalização das refinarias de petróleo e desapropriação de terras; cassação e suspensão dos direitos políticos de 378 pessoas, entre as quais três ex-presidentes, seis governadores estaduais e 55 membros do Congresso Nacional, demissão de 10.000 funcionários públicos e instauração de 5.000 investigações, envolvendo 40.000 pessoas. O movimento sindical brasileiro foi bastante atingido pelo golpe, com suas principais lideranças cassadas e intervenção nos sindicatos.
Apesar do cerceamento imposto, aos poucos, a sociedade civil foi se reorganizando após a intervenção militar. Em março de 1974, o presidente general Ernesto Geisel apresentou uma proposta de uma abertura política “lenta, gradual e segura”. A partir de 1978, o movimento sindical volta à cena política, realizando greves e manifestações no ABC paulista. Em todo o país, ressurgem, aos poucos, as organizações sindicais.
Em 1984, as gigantescas mobilizações populares em favor das eleições diretas para presidente da República tornaram clara a intenção do povo brasileiro de tomar conta de seu próprio destino, ampliando os limites do projeto político dos militares e acelerando o seu ritmo. Um cauteloso projeto de anistia política foi ampliado por uma intensa mobilização da opinião pública, a ponto de possibilitar a volta ao Brasil de praticamente todos os exilados pelo regime militar. Nos últimos tempos do regime militar ainda ocorriam intervenções nos sindicatos mais combativos, mas, frequentemente, os próprios empresários eram levados a negociar com os líderes afastados, e não com os dirigentes indicados pelo regime militar.
Depois de um longo processo de lutas, que culminou com a elaboração de uma nova constituição, finalmente, em 1989, foi restabelecida a eleição direta para presidente.
A década de 80, no Brasil, foi um período de intensa atividade política e de grave crise econômica.
Sucessivos planos de estabilização econômica foram implementados, sem êxito. No plano sindical, deve-se destacar a crescente participação das organizações sindicais na discussão dos destinos do país e seu crescente nível de organização, inclusive com a criação das Centrais Sindicais. Foram fundadas a CUT – Central Única dos Trabalhadores, a CGT – Central Geral dos Trabalhadores e a CGT – Confederação Geral dos Trabalhadores. Nos anos recentes, foi criada também a Força Sindical.
O quadro socioeconômico do país mostra um cenário de desigualdades crescentes, com o empobrecimento e a marginalização de um vasto contingente da população. Ao longo das últimas décadas, em que pese a resistência de alguns setores da sociedade, em particular o movimento sindical, a distribuição da riqueza do país tem se tornado cada vez mais perversa e mantém-se o processo inflacionário crônico.
Em 1990, os 10% mais pobres detinham 0,8% da renda nacional, enquanto os 1% mais ricos concentravam 13,9%. Em termos da distribuição da renda entre capital e trabalho, em 1988, os rendimentos do trabalho representavam somente 38%, enquanto o capital apropriava-se de 62,0%. Em 1991, o PIB (Produto Interno Bruto) foi de US$ 418.270 milhões e a dívida externa brasileira situa-se em torno de 125 bilhões de dólares.
Dos tempos do Colégio Palmares, onde estudei de 1980 a 1982, e cujas matérias de história eram ministradas pela educadora Zilda Zerbini Toscano, fundadora dessa escola, e pelo grande mestre César Barreto, que me deu aulas de história aí e no cursinho CPV, preparatório para o vestibular da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1983.