Pequenas papoulas, pequenas chamas do inferno,
vocês não queimam?
Vocês se mexem. Não posso tocá-las.
Meto as mãos entre as chamas. Nada me queima.
E me cansa ficar aqui olhando.
Vocês se mexendo assim, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.
Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!
Há fumos que não posso tocar.
Onde estão seus sedativos, suas cápsulas que enjoam?
Se eu pudesse sangrar, ou dormir! –
Se minha boca se unisse a essa ferida.
Ou se seus licores me sedassem, nessa cápsula de vidro.
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor. Incolor.
Sylvia Plath (Boston, Massachusetts, Estados Unidos, 27 de outubro de 1932 — Londres, Inglaterra, Reino Unido, 11 de fevereiro de 1963). In “Poemas”. Organização, tradução, ensaios e notas de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. São Paulo: Iluminuras, 1991