sub
te ver
sivo
***
se brilha teu corpo
num pouco de luz
já não sinto tão escura
a dor que se mistura
N. T. Kishi. In “Amo teu oxigênio”
Blog de Eduardo Matosinho – ematosinho@uol.com.br – WhatsApp: (11) 9 9781-4370
sub
te ver
sivo
***
se brilha teu corpo
num pouco de luz
já não sinto tão escura
a dor que se mistura
N. T. Kishi. In “Amo teu oxigênio”

porque amou por que amou
se sabia
p r o i b i d o p a s s e a r s e n t i m e n t o s
ternos ou desesperados
nesse museu do pardo indiferente
me diga: mas por que
amar sofrer talvez como se morre
de varíola voluntária vágula evidente?
ah poeque amou
e se queimou
todo por dentro por fora nos cantos ecos
lúgubres de você mesm(o,a)
irm(ã,o) retrato espetáculo por que amou?
se era para
ou era por
como se entretanto todavia
toda via mas toda vida
é indignação do achado e aguda espotejação
da carne do conhecimento, ora veja
permita cavalheir(o,a)
amig(o,a) me releve
este malestar
cantarino escarninho piedoso
este querer consolar sem muita convicção
o que é inconsolável de ofício
a morte é esconsolável consolatrix consoadíssima
a vida também
tudo também
mas o amor car(o,a) colega este não consola nunca de nuncarás.
Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987). In “Lição de coisas”
Eu ando de ônibus
Não sei o que sinto
Mais sei pra onde vou
Eu corro na praia
Não sei o que vejo
Mais sei onde estou
Eu pinto um quadro
Não sei o que é
Mais sei o que faço
Eu caminho na estrada
Não reparo que acaba
Mais sei porque finda
Porém chovia, e muito. Tanto que tivemos que descer do carro, que atolou, e continuar a pé o trajeto, naquele entardecer. A estrada era de terra – melhor, de barro – e fomos com pouca roupa, naquele quase anoitecer para o vilarejo mais próximo. Era só mato e nós, e chovia torrencialmente. Nossos corpos com roupas molhadas iam perdendo componentes naquele caminho de volta do veraneio no sítio, com fecho de aventura.
Vimos flashes de natureza, em seus detalhes mais envolventes, pois sentíamo-nos parte dela, tão frágeis quanto. E o temporal era quase que fatal – a água vinha grossa e com força – massageando nossas peles tensas e os raios cruzavam sobre nossas cabeças, humilhando nossa postura nua.
Chegamos finalmente a um boteco e conseguimos pouso. A lareira estava boa e o café também. O papo ia e vinha. E era emoldurado por uma chuva pesada, embalando nossa prosa.
(Acontecido em Juquitiba)
E acrescenta a esse relato, via WhatsApp, a amiga Edna Vieira de Carvalho, antiga proprietária do sítio a que me refiro: “Lembrando outras coisinhas, costumávamos recorrer ao filho de D. Sabatina, proprietária de uma venda próxima da Rodovia Régis Bittencourt. O rapaz era dono de um Jeep e ia até o sítio rebocar o meu carro… Não sei se foi ele o socorrista daquela vez, mas costumávamos parar na venda de D. Sabatina para nos enxugarmos da chuva e tomar um café. Chegamos a nos abrigar em outra casa, no caminho, quando a chuva era muito forte…”
Estanca
Trabuca
Desembesta
Acontece
Dependente do estado de espírito
Valeu o esforço e irrompeu o mote:
Você e a sua alegria legria gria ria…