O verdadeiro amigo e amor: Uma mão na outra

Nascida em Campo Maior, Piauí, em 11 de março de 1974, morando em São Paulo, capital, e criadora de conteúdos digitais. Estudou na Escola Estadual Professor Fidelino de Figueiredo, Santa Cecilia, se formou em pedagogia na PUC-SP em 2007 e atuou por muitos anos como professora na educação infantil.
Lembrando que este ano a PUC-SP comemora “80 anos de história”, sendo fundada no dia 13 de agosto de 1946

“O Verdadeiro Amigo e Amor: Uma Mão na Outra” é um livro inspirador sobre amizade verdadeira, amor, confiança, lealdade e crescimento emocional. Com uma escrita acolhedora e reflexiva, Luiza Matosinho convida o leitor a compreender como relacionamentos saudáveis são construídos por meio do respeito, da empatia, do autocuidado e da gratidão. Ao abordar temas como superação de desafios, limites, perdas, amadurecimento e conexões afetivas, a obra mostra que a amizade pode ser a base do amor mais duradouro. Uma leitura emocionante para quem busca fortalecer vínculos, desenvolver a inteligência emocional e encontrar reflexões profundas sobre os relacionamentos humanos.

Clique: Editora ‏Sábhia – O verdadeiro amigo e amor: Uma mão na outra – Luiza Matosinho

Sua criação literária encontrando a minha arte (no fundo vermelho e envolvendo a capa e a contracapa do livro) e dando às mãos…

Contato:
www.facebook.com/luiza.matosinho

Brisa marinha de Mallarmé em duas traduções e no original, em francês

Brisa marinha (Tradução de Herculano de Carvalho)

A carne é triste e eu, aí! já li todos os livros.
Fugir! Fugir p’ra longe. Oiço as aves aos gritos
Ébrias na espuma ignota e sob o céu, em bando!
Nada, nem vãos jardins nos olhos se espelhando
Retém meu coração que se embebe de mar,
Oh noite! nem a luz da candeia a alumiar
O deserto papel que a brancura defende;
Nem mesmo jovem mãe que seu filho amamente.
Hei-de partir! Vapor em marítimas crises,
Iça o ferro e faz rumo a exóticos países.

Um tédio triste, em cruel e inútil esperar,
Crê no supremo adeus dos lenços a acenar.
Que os mastros, porventura, atraindo presságios,
São os mesmos que um vento inclina nos naufrágios.
Soltos no mar, no mar, sem ilhas nem esteiros.
Mas ouve, coração, cantar os marinheiros.

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Brisa marinha (Tradução de José Augusto Seabra)

Triste carne, aí de mim! Já li os livros todos.
Fugir! Longe fugir! As aves sinto a modos
De ser ébrias de espuma entre o mistério e os céus!
Nada, nem os jardins espelhados nos meus
Olhos, o coração retém quase afogado,
Ó noites! nem da lâmpada a ausente claridade
No branco do papel que o vazio rejeita
E nem a jovem mãe que ao peito o filho aleita.
Hei-de partir! Veleiro a mastrear, tu, larga
As amarras, demanda outra exótica plaga!

Um Tédio, desolado por esperanças cruéis,
Crê ainda nos lenços molhados dos adeus!
E talvez que esses mastros atraindo os presságios
Sejam dos que o tufão verga sobre os naufrágios
Perdidos, já sem mastros, em estéreis ilhéus …
Mas os marujos cantam, ouve, coração meu!

//

Brise marine

La chair est triste, hélas! et j’ai lu tous les livres.
Fuir! là-bas fuir! Je sens que des oiseaux sont ivres
D’être parmi l’écume inconnue et les cieux!
Rien, ni les vieux jardins reflétés par les yeux
Ne retiendra ce coeur qui dans la mer se trempe
Ô nuits! ni la clarté déserte de ma lampe
Sur le vide papier que la blancheur défend
Et ni la jeune femme allaitant son enfant.
Je partirai! Steamer balançant ta mâture,
Lève l’ancre pour une exotique nature!

Un Ennui, désolé par les cruels espoirs,
Croit encore à l’adieu suprême des mouchoirs!
Et, peut-être, les mâts, invitant les orages,
Sont-ils de ceux qu’un vent penche sur les naufrages
Perdus, sans mâts, sans mâts, ni fertiles îlots …
Mais, ô mon coeur, entends le chant des matelots!.

Stéphane Mallarmé (Paris, França, 18 de março de 1842 – Valvins, comuna de Vulaines-sur-Seine, Seine-et-Marne, França, 9 de setembro de 1898) foi um poeta, crítico de arte e ensaísta francês, muito famoso por defender o movimento simbolista e por ser o primeiro amigo e biógrafo do pintor Paul Gauguin (Paris, França, 7 de junho de 1848 – Ilhas Marquesas, Polinésia Francesa, 8 de maio de 1903), que não era escritor de versos ou poemas, mas sim um célebre pintor pós-impressionista francês. Remetendo ao termo “poesia” na vasta obra de Gauguin temos a sua famosa tela de 1896 produzida no Taiti que se chama “Poemas bárbaros” (Poèmes barbares), retratando duas mulheres taitianas ao lado de um ídolo místico e combinando elementos do folclore taitiano, melancolia e referências visuais primitivas em um arranjo altamente simbólico. Atualmente esse quadro encontra-se exposto no Fogg Museum (Harvard Art Museums), em Cambridge, Massachusetts (EUA). Esse pintor expressava sua visão poética por meio de cores intensas, formas simplificadas e cenários exóticos da Polinésia Francesa, e não com palavras rimadas. Ele manteve forte diálogo criativo com literatos simbolistas de sua época, como Stéphane Mallarmé e Charles Morice.

“Às vezes, na sobrecarga dos dias invade-nos um desejo imenso de evasão, uma vontade de partir, em que apenas o mar é consolação.
É do que nos fala este poema de Stéphane Mallarmé, “Brisa marinha”, para o qual vos deixo duas versões em português, ambas satisfatórias mas sem a música desolada que se ouve no original, o qual acrescento para os leitores fluentes em francês.

A pintura de Paul Gauguin a acompanhar explica-se pela biografia do pintor, aquele que definitivamente partiu, deixando tudo, em busca do paraíso.”

Carlos Mendonça Lopes, do blog “Vicio da poesia”

Pensando em ti

Eu amanheço pensando em ti
Eu anoiteço pensando em ti
Eu não te esqueço
É dia e noite, pensando em ti
Eu vejo a vida
Pela luz dos olhos teus
Me deixa ao menos
Por favor, pensar em Deus
Nos cigarros que eu fumo
Te vejo nas espirais
Nos livros que eu tento ler
Em cada frase tu estás
Nas orações que eu faço
Eu encontro os olhos teus
Me deixa ao menos
Por favor, pensar em Deus
(Pensando em ti)
Nos cigarros que eu fumo
Te vejo nas espirais
Nos livros que eu tento ler
Em cada frase tu estás
Nas orações que eu faço
Eu encontro os olhos teus
Me deixa ao menos
Por favor, pensar em Deus
Em Deus… Em Deus…

David Nasser (Jaú, São Paulo, 1 de janeiro de 1917 – Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 1980) / Herivelto Martins (Distrito de Rodeio, hoje Engenheiro Paulo de Frontin, Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 1912 — Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1992), emocionantemente interpretado por Nelson Gonçalves (Sant’Ana do Livramento, Rio Grande do Sul, 21 de junho de 1919 – Rio de Janeiro, 18 de abril de 1998)

Sagração dos ossos

                                               A Bruno Tolentino

Considerai estes ossos
— tíbios, inúteis, apócrifos —
que sob a lápide dormem
sem prédica que os conforte.

Considerai: é o que sobra
de quem lhes serviu de invólucro
e agora já não se move
entre as tábuas do sarcófago.

Dormem sem túnica ou toga
e, quando muito, um lençol
lhes cobre as partes mais nobres
(as outras quedam-se à mostra,

não dos que estão aqui fora,
mas dos ácidos que os roem
ou do lodo que lhes molha
até a polpa esponjosa).

De quem foram tais despojos
tão nulos e sem memória,
tão sinistros quanto inglórios
em seu mutismo hiperbólico?

Onde andaram? Em que solo
deitaram sêmen e prole?
Foram químicos, astrólogos,
remendões, físicos, biólogos?

Ou nada foram? Que importa
não haja um só microscópio
lhes cevado a magra forma
ou a mais ínfima nódoa?

Existiram. Esse é o tópico
que aqui, afinal, se aborda.
E eis o faço porque, ao toque
de meus dedos em seus bordos,

tais ossos como que imploram
a mim que os chore e os recorde,
que jamais os deixe à corda
da solidão que os enforca,

nem à sanha do antropólogo
que os vê, não como o espólio
do que foi amor ou ódio,
lascívia, miséria e glória,

mas como a lívida prova
de que o sonho foi-se embora
e dele só resta a escória
numa urna museológica.

E então me pergunto, a sós:
por que desdenhar o outrora
se nele é que ecoa a voz
do que, no futuro, aflora?

Não bastaria uma rótula
para atestar esse cogito,
ergo sum, aqui e agora,
alheio a qualquer prosódia

ou língua em que se desdobre
essa falácia que aposta
no fundo abismo sem orlas
entre o que vive e o que morre?

Baixa uma névoa viscosa
sobre as pálpebras da aurora.
E ali, de pé, sob a estola
de um macabro sacerdote,

sagro estes ossos que, póstumos,
recusam-se à própria sorte,
como a dizer-me nos olhos:
a vida é maior que a morte.

Ivan Junqueira (Rio de Janeiro, 3 de novembro de 1934 — 3 de julho de 2014) foi um poeta, jornalista, tradutor e crítico literário brasileiro. É lembrado principalmente por suas traduções de poetas modernos, como T. S. Eliot, Dylan Thomas e Baudelaire, e por seu lirismo de teor classicizante que abordava regularmente o tema da morte. In “A sagração dos ossos”, Editora Civilização Brasileira, 1994, livro no qual venceu em 1º lugar na categoria Poesia o 37º Prêmio Jabuti realizado em 1995